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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

E agora, Mestre Giz?

Há duas décadas atrás, lá pelo final da década de 80, Mestre Giz reinava na escola e era a última palavra depois do livro didático. Tinha um enorme orgulho, aliás, de conhecer o livro didático, seu mestre, de cabo a rabo. Suas aulas eram impecáveis e se você perdesse uma delas na sexta série A, poderia assistir a mesma aula na sexta série B, pois Mestre Giz tinha uma aula tão “redondinha” que até as piadinhas eram perfeitamente encaixadas no contexto da aula. Absolutamente tudo sem imprevistos e nem improvisos.
Como que por mágica, Mestre Giz deu uma cochilada numa bela e preguiçosa tarde, logo depois do almoço, e viu-se transportado no tempo para uma década adiante, lá pelo final dos anos 90, na virada para 2000. Acordou babado e meio assustado com o que viu: uma sala cheia de computadores, com uma Internet meio capenga e dezenas de cadeados por todos os lugares possíveis. Era a escola tecnológica chegando.
Mestre Giz logo desconfiou daquela parafernália toda e concordou de imediato com a gestão da escola de que era preciso colocar muitos cadeados nas portas e impedir os mortais comuns de mexerem naquelas coisas, evitando assim quebrá-las. Também concordou que seria preciso muito treinamento, formação e projetos inovadores nos próximos anos para que se pudessem usar aquelas coisas e, acima de tudo, era preciso saber para que se usariam aquelas coisas. Se era para ensinar, ele não precisava, pois já sabia fazer isso.
Dias, semanas, meses e anos se passaram e os alunos revoltosos continuavam querendo usar aquelas maquininhas. Mas para quê? Mestre Giz até foi obrigado a fazer um curso sobre como usar um tal de Word e outro Excel, mas já havia esquecido tudo e, além disso, ele não precisava realmente daquilo. Alguns colegas, até mais velhos do que ele, já tinham computadores em sua casa e os usavam, até para “surfar” na Internet, e ele mesmo já havia comprado um para sua filha, mas na escola as coisas eram diferentes porque faltava alguma coisa a mais para poder usar os computadores: faltava um motivo!
Certa vez um professor metido a diferente levou a classe até a Sala de Informática, mas quebrou a cara porque os computadores estavam muito velhos e desatualizados e a Internet nem funcionava em alguns computadores. Além disso, os alunos usavam as Lan Houses do bairro e dispunham de máquinas muito melhores em suas próprias casas. Mestre Giz não pôde esconder um certo sorriso de satisfação ao ver comprovada a sua tese de que aquelas maquininhas eram mesmo inúteis na escola.
Como o tempo é o grande carrasco das verdades absolutas, um dia aquele professor teimoso, de tanto teimar, conseguiu fazer algo dar certo na Sala de Informática. Não foi nada de muito sofisticado, apenas uma pesquisa rápida na Internet e um texto, digitado naquele tal de Word. Pura perda de tempo, concluiu logo Mestre Giz. A cena se repetiu outras vezes e até mesmo com outros professores, mas a grande pergunta de Mestre Giz continuava sem resposta: e para que EU preciso disso?
Hoje cedo Mestre Giz levantou da cama pelo mesmo lado que sempre levanta, pisou com o pé direito primeiro, como sempre, e tomou seu café com leite e pão com manteiga antes de ir para a escola. Escola que, aliás, parece cada dia pior. Os alunos já não têm mais tanto respeito como antes e nem demonstram muito interesse pelas suas aulas que, à propósito, continuam “redondinhas” como há duas décadas! “Azar o deles”, sentencia Mestre Giz.
Alguns colegas professores andam com notebooks ao invés de cadernos, e usam um tal de data-show de vez em quando, ao invés do projetor de slides. Parece que é melhor, mas dá muito trabalho fazer alguma coisa no computador para depois ter que usar o notebook da escola e o data-show e, além disso, não há ninguém na escola para fazer toda essa montagem para os professores. Os professores têm que, eles mesmos, colocarem as imagens no computador e ligar tudo no data-show. Assim fica muito difícil, conclui para si mesmo Mestre Giz, com um certo ar de espanto com aqueles professores que conseguem fazer essas coisas sozinhos e sem cursos ou formações especiais.
Na hora do intervalo, Mestre Giz fez as contas para sua aposentadoria e descobriu que agora falta pouco. Ainda bem, pensou ele, afinal a escola mudou muito e está cada dia mais difícil ensinar. Ele tem pena desses professores mais novos que são obrigados a usarem computadores, Internet, data-show, DVD e outras porcarias para poderem ensinar suas disciplinas. Ele nunca precisou de nada disso. É pena também que os alunos não saibam dar o merecido valor às suas aulas e não entendam que ele já sabe tudo o que os alunos precisam saber. É pena que a juventude ache que pode escolher o que aprender só porque tem uma tal de Internet e que passem tanto tempo nos computadores ao invés de estarem mergulhados nos livros.
Quando estava saindo para o almoço uma aluna lhe perguntou se não podia entregar em um CDROM a pesquisa que ele passou como tarefa, ou mandar por e-mail. É claro que ele respondeu que não. E como esses alunos estão a cada dia mais atrevidos, a garota lhe perguntou com a maior inocência “porque não?”.
Sacando como sempre de sua arma mais poderosa, a razão, Mestre Giz disparou na aluna o mesmo petardo que vem disparando há duas décadas em todos aqueles que lhes questionam o porquê dele simplesmente se negar a usar as novas tecnologias na educação: “Ora, minha cara, eu não preciso de nada disso para lhe ensinar minha matéria”. Mas, desta vez, ao invés do silêncio que costuma receber em resposta,  a garota, atrevida que é, parece que resolveu retrucar com algo que até então Mestre Giz ainda não havia compreendido muito bem: “Eu sei que VOCÊ não precisa, professor, mas EU preciso e PRECISAREI A VIDA TODA. Porque não posso usar então?”.
E agora, Mestre Giz?
(*) Este texto é uma fábula. Ele é totalmente fictício. Mestre Giz, ou professores que acreditam que não precisam usar as novas tecnologias na escola porque são capazes de ensinar sem elas e que desconhecem a necessidade que os alunos têm de aprender com elas, são personagens inexistentes na vida real. Qualquer semelhança entre os personagens dessa fábula e a realidade cotidiana de uma escola é mero fruto da sua própria imaginação.
 
Referências: 
http://professordigital.wordpress.com/2009/09/18/e-agora-mestre-giz/

Versão "cyber" da criação do mundo

No princípio Deus criou o BIT e o BYTE. E deles criou o WORD. E assim estavam os dois BYTES na WORD; e nada mais existia. E Deus separou o UM do ZERO; e viu que isso era bom. Deus disse: "Que a DATA exista !" e assim aconteceu. E Deus disse: "Que a DATA vá para os seus lugares devidos", e assim aconteceu. E ele criou os disquetes, os discos rígidos e os discos compactos. Disse Deus: "Que apareçam os computadores, e sejam lugar para os disquetes, e para os discos rígidos e para os discos compactos". Então Deus chamou os computadores de HARDWARE. Mas não havia ainda SOFTWARE, então Deus criou os PROGRAMAS; grandes e pequenos... E disse-lhes: "Vão, multipliquem-se e encham a memória".

Então Deus disse: "Vou criar o PROGRAMADOR, e ele irá fazer novos programas e governará os computadores, programas e a informação". E Deus criou o PROGRAMADOR, e o colocou-o no CPD; E Deus mostrou-lhe a estrutura DOS e disse: "Podes usar todos os diretórios e sub-diretórios mas nunca execute o WINDOWS". Após algum tempo, disse Deus: "Não é bom para o PROGRAMADOR estar só". Ele pegou um osso do corpo do PROGRAMADOR e criou a criatura que iria olhar para o PROGRAMADOR e admirá-lo, e amar as coisas que ele faz. E Deus chamou a criatura de USUÁRIO. E o PROGRAMADOR e o USUÁRIO foram deixados sob o DOS e eram felizes. Viu Deus que tudo isso era bom. Mas BILL era mais esperto que as outras criaturas de Deus. E BILL disse para o USUÁRIO: "Foi mesmo assim que Deus disse, que não podeis executar nenhum programa?" E o USUÁRIO respondeu: "Deus disse-nos que podíamos executar todos programas existentes, mas nunca executar o WINDOWS, senão morreríamos..."
E BILL disse ao USUÁRIO: "Como podes falar de algo que nunca experimentaste? No preciso momento que executares o WINDOWS se tornarás igual a Deus. E poderás criar tudo o que quiseres por um simples toque no mouse." E ao PROGRAMADOR BILL disse que os frutos de utilizar o WINDOWS eram maravilhosos e fáceis de utilizar. O USUÁRIO então notou que não era necessário nenhum conhecimento, pois o WINDOWS podia substituí-lo.
Então o USUÁRIO instalou o WINDOWS no seu computador, e disse ao PROGRAMADOR que era bom. O PROGRAMADOR também o instalou. Então abriram-se imediatamente os olhos de ambos e perceberam que estavam sem drivers!!
Quando ouviram a voz de Deus, imediatamente esconderam-se da presença Dele. Mas Deus perguntou: "Ondes estás?"
O PROGRAMADOR respondeu: "Ouvi a tua voz, mas como estava sem drivers, tive medo e me escondi, pois não os encontro no DOS." E Deus disse: "Quem disse que precisavas de novos DRIVERS? Executaste o WINDOWS?"
E o PROGRAMADOR respondeu: "O USUÁRIO que me destes como companhia o executou" Ao USUÁRIO Deus disse: "O que é isto que fizeste? Por que executaste o Windows?" "Foi o BILL que me enganou" - disse o USUÁRIO...
Então Deus disse ao Bill: "Por causa do que tu fizeste, serás odiado por todas as criaturas. E o usuário estará sempre zangado contigo. E venderás o WINDOWS para sempre". Ao USUÁRIO disse: "Por causa do que fizeste, do suor do teu rosto comprarás o WINDOWS, mas o mesmo irá desapontar-te e comer toda a tua memória; e terás de usar programas reles, e irás adormecer em cima dos manuais. Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da execução de vossos programas e muitas serão as vezes que terás que reinicializar o sistema" E Deus disse ao PROGRAMADOR: "Por causa de teres ouvido o USUÁRIO, nunca serás feliz. Todos os teus programas terão erros e terás de corrigi-los, e corrigi-los até o final dos teus dias". E Deus expulsou-os do CPD e fechou a porta, colonado uma PASSWORD: "GENERAL PROTECTION FAULT" Mas é grande o amor de Deus para com o PROGRAMADOR e o 
USUÁRIO, e eis que antes de condenar a ambos DEUS prometeu que em breve lhes enviaria um salvador. E eis que o UNIX veio a terra e mostrou os seus milagres. Rodou programas, executou os backups e reiniciou sem perder os dados. E vendo como o UNIX era bom alguns passaram a utilizá-lo. E tendo a certeza de que o UNIX era o certo, propagaram seus ensinamentos. Mas eis que BILL tentou obscurecer os USUÁRIOS e PROGRAMADORES e disse que o UNIX não era o verdadeiro sistema prometido por DEUS. BILL prometeu aos USUÁRIOS e aos programadores que viria o WINDOWS 2000 e este sim era o verdadeiro sistema, capaz de reconhecer periféricos automaticamente. Assim sendo a todo aquele que aceitar o UNIX em seu MICRO será salvo,e poderá voltar ao CPD no dia do SHUTDOWN final. Mas aquele que se entregar ao WINDOWS 2000, embora ache que está no caminho certo, ficará preso para sempre na tela travada do "O WINDOWS ESTÁ SENDO DESLIGADO" e jamais poderá "DESLIGAR SEU COMPUTADOR COM SEGURANÇA".

Referências:
http://vinicblog.blogspot.com/2010/12/no-principio-deus-criou-o-bite-e-o-byte.html